segunda-feira, 12 de julho de 2010

Filosofia Fusca!

Texto do Prof. Amilcar Bernardi em; http://amilcarfilosofia.blogspot.com/2010/07/escola-fusca.html



Digamos que tu gostas de ter um Fusca 1970. Por isso cuidas com muito zelo do carrinho. Tens uma relação amorosa com ele. Não exiges mais do que ele pode, afinal tu sabes os limites do veículo. Existe em ti a consciência que o carro anda bem até 80 Km/h, que é um tanto barulhento e não é muito estável nas curvas. Porém, é um carro que tu amas, confiável, então procuras não exceder a velocidade e fazer curvas com cuidado. A manutenção é constante. É teu xodó. No fundo do teu coração amoroso e enternecido, sabes que não podes comparar o fusquinha com um carrão do ano. Tu podes deixar o cascudinho turbinado com aros bonitos, uma cor legal, porém, será sempre um fusca. O charme do carrinho é esse mesmo, ser como ele é. Desejar que este veículo tenha o mesmo desempenho de um carrão da moda é um sonho impossível. Ou tu tens o carrinho e o ama como ele é ou compra um novo. Este é o dilema dos apaixonados pelos carros antigos. Resumindo: tendo como critério as possibilidades técnicas de um veículo 1600 cc de 1970, ele é o máximo que pode ser! Não há o que tirar nem botar!


Estamos hoje numa escola-fusca. Um modelo de escola antiga. Porém, muito bonita. Colocamos enfeites poderosos como sala de informática, quadros interativos e mobiliários ergonomicamente adequados! Claro, as que podem pagar por isso. Porém, é a mesma escola de anos atrás. E até que vem funcionando, afinal, temos bons médicos, advogados e escritores pelo nosso país afora. É um bom, limitado e modesto Fusca. Limitado e modesto porque temos também evasão escolar, prédios caindo e tal. Mas não posso esquecer as pessoas que obtiveram sucesso porque tiveram escola, é evidente.


Além dos problemas clássicos da educação, as novidades trouxeram outro. Resolveram manter o fusquinha-escola e fazê-lo ser um carro da Fórmula 1. Aí o bicho pegou! A mesma escola de sempre, agora tem que ser inclusiva. No fusquinha tem que caber todo mundo. O carrinho tem que suportar toda a tecnologia possível com a mesma bateriazinha 12 volts. Agora que é moda toda a família ser atarefada e/ou trabalhadora ao extremo, o mesmo carrinho tem que agüentar receber os sem afeto, os sem acompanhamento na hora das tarefas escolares, os sem limites, os reizinhos que têm tudo e os que não têm nada. O mesmo motorzinho 1,6 à gasolina, refrigerado a ar, terá que carregar o peso da violência contra a escola (da mídia contra a escola, dos vândalos contra a escola e muitos advogados e psicólogos contra a escola). Haja motor! Entretanto, a sociedade quer desempenho de Fórmula 1 no carrinho de 1970!!!!!!!!!!


Creio que está na hora da sociedade descobrir quanto custa um carro da Fórmula 1, para ver se pode pagar e sustentar um veículo destes. Não podemos ser hipócritas de amar um carro e sonhar com outro. Afinal, queremos o Fusquinha ou o carrão? Não dá para transformar um no outro. O triste é ver a sociedade, que não entende de Fusca ou de carrão, exigir cada vez mais desempenho da escola sem querer, de fato, mudá-la. Caso o Fusca não sirva mais compremos, paguemos e sustentemos o outro carro. Então motoristas e mecânicos serão outros ou os mesmos mais qualificados. Tudo mais caro, muito mais caro, é claro.

3 comentários:

  1. O único amor em que eu recebia muito mais do que dava, foi uma Brasília 1976. Linda! Jóia rara. Não pude ficar com ela. Nunca mais pude amar carro nenhum.

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  2. Só AMANDO mesmo! O que não se faz por amor??? srsrs

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